Nos dois primeiros andares foi divertido e inspirador, mas no terceiro...
No terceiro andar do asilo Spaan, ficam os velhinhos chamados de “acamados”, lá são os mais velhos e doentes que ali estão, são aqueles que na verdade mais precisam de atenção.
Mas é triste, pessoas que realmente não conseguem sair de suas camas pra nada, sentem dores em todo o corpo durante todo o dia.
Conheci uma senhora, Amada, ele mora na Spaan há 20 anos, vive em cima de uma cadeira de rodas e perdeu a fala um tempo atrás, isso faz com que seja muito difícil de entendê-la, Amada tem pouco mais de 90 anos, é muito, muito pequena e tem as costas curvas, das duas vezes em que subi ao terceiro andar ela estava no mesmo lugar, no corredor, na mesma cadeira, na mesma posição, imagine passar um dia inteiro assim, uma semana ou um mês, agora imagine passar 20 anos.
Claro que ela já foi melhor, mas agora ela fica ali sentada olhando pro chão, e quando me aproximei pra conversar com ela, ela abriu um sorriso alegre com a cabeça baixada.
Conversei com ela por uns 20 minutos, e em várias vezes quis chorar, ela me contou que sua família a abandonou lá e que ela já não gostava muito daquilo.
Mas uma coisa duas coisa me deixaram muito feliz, a primeira foi ver seu sorriso, e sempre foi assim, com um sorriso
que ela me recebeu, a segunda coisa que me deixou feliz foi quando ela disse com a voz enrolada, que todas as quartas feiras um senhor vem visita ela e leva ela pra passear pelo pátio da Spaan.
Amada me contou isso muito alegre, percebi como é fácil fazer uma dessas pessoas feliz, depois pedi permissão para levá-la pra um passeio, demos uma volta no asilo e voltamos.
Isso que eu fiz por ela, a conversa e um ligeiro passeio não foi nada, foi tão simples, mas foi o momento mais alegre do meu fim de semana e tenho certeza que pra ela também foi.
Amada, com a beleza da experiência, umas das mulheres mais lindas que eu já conheci.
Obrigado Amada.
-------------------------------------------------------------------- escrito por Luiz (Cidão)