Neste momento em que estou aqui redigindo estas palavras, em meio à, no mínimo, quatro outras atividades paralelas, correndo contra o tempo, olhando o relógio a cada 15 minutos.
Torcendo pra que ele tenha parado, ou que, ao menos, diminua a velocidade, para que eu possa terminar todas as minhas atividades no prazo estipulado.
Eu paro e penso: e se eu não tivesse nada disso pra fazer?
Se eu não tivesse a liberdade de fazer aquilo que me dá prazer e, ao invés disso tivesse que ter prazer com aquilo que as minhas limitações me permitem fazer?
Pois é, eu não imagino.
Eu vi. Presenciei dezenas de pessoas, que não tem esta escolha.
Que ao contrário de mim, ficam pensando em algo que lhes é permitido fazer para ocuparem seu tempo.
Tempo que, aliás, elas contam para que acabe.
Para que a situação em que se encontram termine.
Para que a situação em que se encontram termine.
O ponto alto daquele domingo de ressaca, o que me deixou nesse teto louco em que me encontro, foi ouvir a frase: “agora a gente fica aqui, e espera o Senhor chamar.
Porque a gente não pode fazer muita coisa além disso.”
Triste?
Para os outros que lá estavam, e pra ti que ta lendo agora pode parecer.
Triste?
Para os outros que lá estavam, e pra ti que ta lendo agora pode parecer.
Pra mim também, pois quando tu vê nos olhos de uma pessoa que ela se sente assim, tu pensa que é um merda, que só pensa em si mesmo.
Sim, foi isto que me veio na cabeça.
Mas ao mesmo tempo em que ela nos diz isso, no mesmo instante em que olhamos no fundo dos olhos tristes, e vemos as mãos trêmulas e fracas, desgastadas pelo tempo.
Um movimento quase passa despercebidos, alguns pouquíssimos segundos em que eu não abaixei a cabeça para demonstrar minha tristeza, eu vi um tímido sorriso no rosto daquela senhora e um brilho no olhar.
Pois ao mesmo tempo em que ela se sente mal por não poder mudar a sua situação, pela experiência que a vida só dá a alguns, ela fica feliz. Feliz, por saber que nós, jovens, podemos fazer isso, que somos extremamente ativos, e vivemos e fazemos o nosso mundo do jeito que bem entendemos.
Ela se sente gratificada por nos alertar, que devemos fazer tudo o que pudermos, aproveitar cada segundo, agora, por mais rápido que pareça passar.
Porque um dia, este mesmo segundo vai demorar horas para passar.
E nós é que estaremos dando conselhos aos mais jovens, falando sobre a vida, de como foi boa essa fase, e acima de tudo, felizes por saber que alguém ainda é.
E hoje, meu conselho é: faça um esforço e tenha esta mesma experiência. Porque a alegria de alguém pode ser te ver feliz.
------------------------------------------------------------------ escrito por Rogério Turrely
----------------------------------------------------------------fotografado por Henrique Lopes

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